01 / 06Irreverência também é tradição.
Um dos maiores clássicos populares de Olinda. Faz barulho, mostra os dentes e ainda pede dinheiro. A nossa virou escultura e pode ir morar aí. A simpatia é a mesma.
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Primeiro você escuta a batucada. Depois aparece um bicho peludo, de máscara e boca aberta, acompanhado de uma turma que parece conhecer muito bem o serviço. Se você nunca viu uma La Ursa, pode estranhar. Quem cresceu por aqui já sabe: lá vem cobrança.
“A La Ursa quer dinheiro…” E quem aperta o bolso ganha logo fama de pirangueiro. É o nosso jeito carinhoso de chamar quem está economizando demais. Vai dizer que não tem nem uma moedinha?
A brincadeira guarda a memória dos espetáculos de ursos conduzidos por domadores pelas cidades da Europa. No carnaval pernambucano, ganhou máscara, fantasia, música e a liberdade de inventar. O urso é um brincante debaixo da fantasia, acompanhado de um domador e, em muitos grupos, de um caçador. Tudo encenado, com o povo entrando na graça.
Tem grupo com fantasia caprichada e músicos acompanhando. E tem a meninada que resolve o carnaval com uma máscara, uns retalhos e uma lata fazendo a vez de tambor. O urso dança, a turma canta e a rua vira palco. Quem disse que precisava esperar alguém organizar a alegria?


E já que estamos falando de quem sabe brincar, tem um encontro que a gente quis fazer. De um lado, a La Ursa. Do outro, o Eu Acho É Pouco, com aquele vermelho e amarelo tomando as ladeiras e um dragão que ninguém perde de vista.
O bloco tem uma irreverência que a gente adora: dança, reúne gente e também dá seu recado. Aqui, brincar e ter opinião se entendem muito bem. O próprio nome já chega com uma resposta na ponta da língua.
Foi dessa vontade de juntar duas paixões que nasceu Uma LaUrsa é Pouco. O nome faz a graça, as cores fazem a homenagem e o urso continua mostrando os dentes. É uma criação da nossa Casa, com esse carnaval todo na cabeça.
A gente pesquisa a brincadeira, desenha e desenvolve nossa LaUrsa em cerâmica. As peças passam pela queima a 800 °C e recebem pintura acrílica. A Clássica vem de preto, marfim e vermelho. A Vermelha traz o vermelho e o amarelo da homenagem ao bloco. Orelhas, focinho, olhos e dentes dão a expressão desse bicho que faz cara de bravo, mas já ganhou a gente. Toda a criação e a produção são da Casa.
- Medidas
- 24 × 11 × 15 cm
- Peso
- 900 g
- Material
- Cerâmica
- Queima e acabamento
- Queima a 800 °C · pintura acrílica
Tem gente que olha e já escuta a lata batendo. Lembra de sair correndo, de rir do susto, de procurar uma moeda enquanto o urso esperava. Tem gente que vai conhecer essa história agora. A gente gosta de pensar que a peça pode fazer as duas coisas: trazer uma lembrança e começar uma conversa.
Coloque num canto em que você passe todo dia. No meio da pressa, das contas, daquela reunião que podia ter sido uma mensagem. Ela vai estar ali, com os dentes de fora, lembrando que ainda cabe uma brincadeira.
Pode levar. Essa não vai cobrar de novo ✌️